Alquimia do Verbo http://www.alquimiadoverbo.com.br


 

 

 

A partir de agora, está tudo aqui.



Escrito por LM às 16h32
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Saga

 

Saber que um livro é difícil de encontrar imediatamente o coloca no topo da lista de procurados.

Não qualquer livro; bibliofilia é um esporte muito caro. Só os que interessam - e, se forem difíceis de achar, melhor ainda.

Estante Virtual é uma alternativa, mas tira o prazer da caça. Subir até o quarto andar de uma livraria antiga, descer ao subsolo úmido e escuro de outra, procurar atentamente nas prateleiras para encontrar o que se procura.

Perguntar aos vendedores é perda de tempo. A maior parte não tem a mínima noção de onde um livro pode estar. E também é desonesto: o legal desse tipo de busca é fuçar, desafiar o pó, ir aonde nenhum ácaro jamais esteve.

Anos atrás, Questões de Sociologia, de Pierre "precisa-me-amar" Bourdieu. Editado em 1983 pela Marco Zero, que logo depois faliu. Foram prensadas 1.000 cópias do livro. Uma delas foi encontrada por R$ 5 em um sebo de Pinheiros.

Desentocar Cultura Popular na Idade Média, de Bakhtin, demorou quatro anos. Foi achado na seção de Astronomia (?) de uma livraria no Itaim. Porque caçar livros exige andar de ônibus.

O caso mais grave foi Coisas Ditas, também de Bourdieu. Editado pela Brasiliense em 1990, esgotado durante dezesseis anos. Nem a editora tinha. Encontrado por acaso em uma livraria do centro. Morreu por R$ 60 mangos. Na semana seguinte a Brasiliense reeditou - por R$ 32.

Depois de comprar, chegar em casa, tirar o pó, encapar, ler.

Épico.



Escrito por LM às 22h54
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Picaretagem virtual

 

Como?! A ligação está falhando, tá sem sinal. Depois te ligo.

Desculpa, coloquei no modo silencioso, só peguei o recado agora.

Não recebeu meu email? Mas eu te mandei ontem! Que coisa...

É, faz tempo mesmo. É que troquei de celular e perdi minha lista de contatos.

A bateria está acabando, vai cair a qualquer momento. Ih, caiu.

Tá tudo bem? Li seu blog e fiquei meio preocupado.

Você mandou um email? Estranho, não recebi. Que coisa...

Repassei seu email para a lista sim, era pessoal?!

Não, eu não tava online, desculpa. Perdi muita coisa?

 

Porque a tecnologia muda, mas a humanidade não.



Escrito por LM às 12h51
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Monumento

 

A primeira visita a um sebo foi há mais ou menos uns dezesseis anos.

Com 14 recém-feitos, era o momento de explorar o mundo além do centro da cidade, mapeado desde os doze.

Estava andando com um amigo pela Joaquim Floriano, lá no Itaim, quando uma porta chamou a atenção. "Bagdá Books, livros usados", dizia a placa.

Olhamos, parecia uma enorme biblioteca escura, úmida e sombria, com livros caoticamente espalhados do chão ao teto. A imagem do paraíso.

Entramos, meio ressabiados, e fomos atendidos por um antipático dono - disse para não bagunçar os livros (?!) e que não vendia Playboy para menor de 18 anos, seus safados.

Foram horas explorando o lugar. Música, cinema, literatura. E, finalmente, contar o dinheiro para ver o que poderíamos levar. Um livro cada um e olhe lá.

Consegui arrematar a Pequena Crônica de Anna Magdalena Bach, belo relato da vida de J.S.Bach, escrito por sua segunda mulher. Meu amigo levou um livro científico. Anos depois se formou em Química, coitado.

Saímos, felizes com a descoberta. O Bagdá Books foi vendido para o atual dono, Celso, muito mais simpático. E a Pequena Crônica de Anna Magdalenda Bach continua lá na estante, lembrança da descoberta.

Um monumento ao pó.



Escrito por LM às 15h05
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Antropologia financeira

 

É fascinante ir à Casa Santa Luzia. Um exercício de antropologia.

Lá é fácil encontrar uma série de ítens difíceis de achar em outros supermercados. Gente classe AAA+, por exemplo.

Tanto os produtos quanto os preços são importados. Os clientes andam de um lado para outro com uma expressão blasé, sem sorrir nunca, aparentando tédio e enfado. Deve ser por causa das estritas regras de comportamento.

Clientes são proibidos de conversar com os empacotadores, manobristas e funcionários. No máximo ouve-se um "psiu, ei!" ou um "ei, menino, vem cá!".  "Com licença", "por favor" e "obrigado" não são usadas. Quando alguém precisa passar com o carrinho, pára e fica com ar de "céus, que tédio" até a outra pessoa sentir isso e dar passagem, a contragosto.

Parece que, segundo uma lenda local, se clientes e funcionários se olharem nos olhos eles viram pedra. Para evitar isso, quem está de uniforme olha para baixo, quem não está olha para cima.

Nem todos são assim, há gente nos dois lados que sorri, conversa, é simpática com todos. Mas, pelo visto, são os rebeldes.

O mundo é curioso.



Escrito por LM às 18h03
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Pequenas Epifanias Cotidianas no. 76 - a alma do negócio

Outro dia, em uma esquina da Nove de Julho. Uma garota de seus vinte anos vendendo balas no farol.

Em vez da expressão triste e do discurso esperado, veio sorrindo e ofereceu:

-Oi, quer comprar a bala da felicidade? Você compra e eu fico feliz!

 Ge-ni-al.



Escrito por LM às 17h06
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Minicast no. 5

Desta vez com exagerados 15 minutos e 3 canções sobre futebol. Porque o fato de não jogar nada não significa que não se possa gostar da coisa.

 


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Escrito por LM às 17h53
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Valeu, turma!

 

A oportunidade de vê-los foi esplêndida - encontrar fora do horário quem vejo toda semana, reencontrar quem não vejo há tempos, dar um oi, mesmobreve.

A todas as turmas, grupos, sociedades secretas, colegas, futuros colegas, professores, parentes, amigos, blogs e sites que estiveram lá.

O grupo Aleph, o Nipo-Pessoal, às turmas de RTV 3o. & 4o. da São Judas, de RTV Cásper - 1o. Ano, 2o. A e 2o. C, 4o. Ano (Metodologia, como foi isso?), ao antigo pessoal de Jornalismo da São Judas (tcc, tcc, tcc), ao pessoal da Cantareira (Maestro!)  e às várias sociedades do jornalismo da Cásper, passado e presente, tanto as que ainda não se auto-denominaram quanto as que já tem nome:  as Vingadoras, o pessoal do Gorfo, reminiscências do Catarse, a turma do JoBloquinho,  o pessoal do Bagulho, à turma do Maldito, às pessoas do Mestrado da Puc, Cásper e Mackenzie, que levaram a dissertação para continuar escrevendo no caminho.

Houve até mesmo tentativas de interação interturmas.

Espero que todos tenham experimentado o vinho branco ao menos uma vez - infelizmente não rolou bolo e brigadeiro.

Depois de ontem não é fácil agradecer, porque foi muito legal.

Só me resta copiar o que o músico Arnold Schonberg escreveu no seu Tratado de Harmonia - "Aprendi este livro dos meus alunos".

E hoje isso faz todo o sentido.

Ou, em outras palavras:



Escrito por LM às 14h39
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Num güenta, bebe whisky.

 

Me tornei um lactófilo nos pubs de Norwich. Além da cerveja, lá serviam o leite da região, produzido por vacas locais.

Vinha direto fazendas a dois quilômetros de casa, era engarrafado na Cooperativa do lugar e vendido.

Mas há uma certa má-vontade contra quem gosta de tomar leite como se fosse água, compara tipos de leite pela textura e sabor, reconhece as marcas pelo branco.

Às vezes, nas palestras da Universidade havia vinho, whisky e cerveja. E chá, claro. Mas sempre uns dois ou três puxavam uma garrafinha de leite da mala e se acabavam. O pessoal do whisky olhava, curioso.

Aqui, o paraíso lactófilo é fora de São Paulo, capital.

Em Curitiba, por exemplo, foram livros e mais litros do leite Qualität, produzido no interior do Paraná. Em Minas tinha (tem?) o Mimosa. E, claro, o leite de Mococa no interiorr de São Paulo.

Mas as pessoas ainda estranham quando veem você elogiar o leite.

Tá servido?



Escrito por LM às 15h55
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Minicast Alquimia no. 04

Gravadamente de Curitiba, com efeitos sonoros, entrevista e merchandising.


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Escrito por LM às 14h21
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As conversas do grupo Aleph através dos tempos: melhores momentos

 

1995, primeiro ano da faculdade

-Viu o DVD do Eisenstein que saiu?

-Eisenstein? Eisenstein? Ele não vale o mindinho de Kubrik!

-Alguém leu os inéditos de Leminski? 

-Quem inventou o cinema foi Griffith, seu pulha!

 

1998, formatura

-Mas as condições do mercado jornalístico são sempre assim?

-Na maior parte das vezes. Mas tem um jeito de ficar rico, chama-se "carreira acadêmica".

-Não sei, um amigo começou com carreira e ficou pobre.

-Muito engraçado.

 

2005, todo mundo a postos:

-Tá naquela assessoria ainda?

-Não, fui para uma revista. Agora meu negócio é material de construção.

-Mas e o Zé?

-Continua lá.

 

2009, a vida como ela é

-Quanto tá o leite A Fazenda no Pão de Açúcar?

-Mais de dois reais. Tá um absurdo.

-Absurdo tá o preço da carne no Carrefour.

-Nossa!

 

2040, porque ninguém é eterno

-Passa meu remédio para a memória?

-Que?

-Me passa o remédio para a memória?

-Que?

-Toma teu aparelho para surdez. Agora me passa o remédio do triglicérides.



Escrito por LM às 16h22
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Dentro de uma semana

 

                    



Escrito por LM às 00h15
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Nóis é chique at the last

 

Sabado de tarde, Café do Ponto do Center 3, aquele em frente ao conjunto nacional.

Entrou um sujeito, olhou para as mesas. Todas ocupadas exceto uma, sobre a qual se amontoavam xícaras, copos e guardanapos.

Ele chamou uma das garçonetes:

-Oi, você pode dar um cleaning na mesa?

A moça sorriu e respondeu:

-O senhor quer o quê?

-Dá um cleaning na mesa, tá assim meio crowded. Dá um clean para mim.

Ela olhou para a balconista, que repassou a olhada para a moça do caixa, que devolveu para a garçonete.

-O senhor quer o quê mesmo?

Ele respirou fundo, olhou para cima indignado e respondeu:

-Limpa a mesa que está com muita coisa em cima, ok?

A garçonete sorriu constrangida e foi arrumar.

Ele sentou e pediu um café - estava esperando ele askar um coffee.

O mundo às vezes dá muito medo.



Escrito por LM às 23h11
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Trancos

Assistir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Videos no youtube é

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

legal, mas às ve

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

zes fica pic

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

otando. Mó ch

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ato.



Escrito por LM às 23h18
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Coerência

 

Escrever. Adaptar. Escrever. Traduzir um pedaço.

Fechar a revista, enviar o texto.

Escrever o outro - para onde mesmo? - e ligar para a fonte que vai dar o telefone das outras fontes.

Ocupado, ligar mais tarde.

Email: substituir qual texto mesmo? Ah, e tenho que fazer o programa do curso.

Atendeu, falou meia hora sobre a vida, o universo e tudo mais até passar os telefones que interessam. Por que as pessoas não tem uma versão resumida de si mesmas?

Ótimo, agora que todos os telefones estão aqui, hora de sair.

Reunião. Reunião. Certo? Reunião. Mas eu acho que. Certo? E se a gente. Certo.

Trânsito. Rádio Sul-América Trânsito. Voz conhecida. Ei, ela era da turma de 2005! Legal.

Música, "...colunated ruins domino... canvas the town and brush..."

Enfim, uma segunda-feira com cara de segunda-feira.



Escrito por LM às 21h09
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